Análise e/ou Resenha Crítica do filme O Leitor

Análise e/ou Resenha Crítica do Filme O Leitor

     O filme de produção inglesa O Leitor, de Stephen Daldry, datado em 2008, inspirado no romance de Bernhard Scklink, possuindo o mesmo nome (1995). Os fatos ocorrem em Berlim, Alemanha, onde relata a vida de uma mulher analfabeta e que se envolveu com um jovem culto, isto é, são pessoas pertencentes a mundos diferentes. Ela, Hana, além de analfabeta, ganhava a vida como guarda em transportes públicos (bondinhos). Já Michael ao conhecê-la ainda era um estudante de ensino Médio, obviamente dependente dos pais.

     O filme é um romance com um desfecho trágico, pois Hana sentia tanta vergonha por ser analfabeta que preferia à condenação, a confessar o seu ponto fraco, ou melhor, a incapacidade dela perante aos livros, a não compreensão perante aos símbolos grafados (letras) para a formação da palavra escrita, portanto, preferiu a condenação perpétua, a revelar o seu grande segredo o qual era causa de temor e imensa vergonha.

     Inicialmente, o romance parece que ocorreria tudo bem, e que a problemática seria outra, porém, a partir, da cena em que Hana é surpreendida pelo seu superior do trabalho; ela havia sido promovida: mudaria de função, trabalharia em um escritório. Entretanto, essa notícia foi desconfortável, aterrorizante para ela, pois como trabalharia em um escritório sem o conhecimento essencial: o letramento? A não ser que fosse para limpar chão, agente de limpeza. Ela nem sequer havia pensado nesta possibilidade, logo, pediu as contas, mas não revelara o seu segredo. O cargo que ela ocupava era suficiente o que sabia: fazer um risco no local da assinatura e o conhecimento dos números.

   Michael que viveu um grande romance com Hana, ele é um personagem essencial na vida dela. Além disso, ele foi o céu e o inferno dela, pois ficou claro que ela era uma pessoa reservada, solitária (sem família e sem amigos), consequências das vivências nazistas e uma das causas da condenação à prisão perpétua dela.

        Percebeu-se que Michael ofereceu um pouco de felicidade a Hana (o céu), contudo, há o lado sombrio (o inferno) no que diz respeito ao abandono, à covardia dele perante o drama da amada, pois ele a conhecia perfeitamente e sabia que ela jamais revelaria o segredo que a aterrorizava, no entanto, poderia a inocentá-la, porém a vergonha a tornara meio arrogante, ocasionando a confissão por algo que não fez: ela confessou ao júri, que assinou em um livro, escrito por uma sobrevivente dos danos sofridos, um incêndio, às pessoas judias, isto é, práticas nazistas. Contudo, Michael era o único que tinha certeza que Hana era analfabeta, pois no período do relacionamento deles, ele percebeu que ela não sabia ler; ele sempre lia para ela os melhores clássicos da literatura universal como, por exemplo, Odisséia, dentre outras obras.

    Notoriamente, o drama de Hana torna-se cada vez mais comovente: quando ela havia passado mais de dez anos no recinto presidiário, Michael, por sua vez, decidiu dar outros caminhos à vida dela, deu-se início a um árduo trabalho: lia os livros que Hana mais gostava, gravando assim, às leituras realizadas e as enviava a Hana para o presídio, onde estava lotada. Desta forma, Hana foi alfabetizada e, durante, aproximadamente, oito anos, ela e Michael se comunicavam por correspondências. Ele assumia mais uma vez o papel de êxtase, de céu na vida dela.

     Além disso, sabe-se que há conflitos vivenciados por partes interessadas em um processo de julgamento: os conflitos dos juízes e advogados em terem que absolver ou condenar, principalmente quando o réu é inocente, o sentimento de culpa destes profissionais, além da palavra e  à busca pela inocência do réu, que ao ser condenado fica o sentimento de descrença na justiça, pois houve falha.

     Em suma, verifica-se que o desfecho do filme é o ápice da personagem Hana, pois talvez fosse a primeira vez que havia refletido sobre a sua própria vida, que até então, ato incomum praticado por ela. Pessoas como ela não refletem muito sobre a vida, vivem intensamente cada momento sem a mínima preocupação com o futuro como se não houvesse tempo e/ou espaço, apenas vivem o que tem que ser vivido.

        Mas, à visita de Michael após vinte anos sem o vê-lo foi decisivo para a última ação irrefletida de Hana; modificou a forma como ela a inseria e/ou via o ou no mundo; ela talvez tenha sentido o gosto da decepção, da culpa, do alívio, porém maior sentimento que tenha sentido e causador da loucura do momento: suicídio, este ato cometido devido à descrença no amor; amor que foi invadido pelo tempo e espaço, pois o tempo, o espaço ou o contexto só foram somente isso e nada mais, contudo, para muitos o correto não é o que sentimos, porém o que fazemos. Michael, por sua vez, agiu em quase vinte anos como se não sentisse, no entanto, não agiu como deveria devido às prisões do tempo, espaço e contexto. Ao assumir o seu sentimento perante a qualquer eventualidade e a agir, esperou muito tempo para que tomasse a decisão de ser feliz, condenando-se aos fracassos em sua vida profissional e amorosa.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Links: 1 (trailer):

http://www.adorocinema.com/filmes/filme-126664/trailer-19361495/

2 (filme completo)

https://www.youtube.com/watch?v=u9aqfPsh6R0

Sobre anaygens

Adoro escrever
Esse post foi publicado em Uncategorized e marcado , , , . Guardar link permanente.

12 respostas para Análise e/ou Resenha Crítica do filme O Leitor

  1. Fabíola-Davis disse:

    o Filme mais sensível e arrebatador dos últimos tempos…..

    • anaygens disse:

      Se é o mais sensível, não sei dizer, pois há outros filmes que comovem-nos profundamente, porém, O Leitor, sem dúvida, é um filme bastante comovente, além de ser algo ocorrido no mundo real e transcrito para o ficcional.

      • anaygens disse:

        Estive lendo o comentário que fiz anteriormente, em resposta à Fabíola Davis,
        minha nossa! Aquele quem escreve tem uma grande função social: policiar-se como escreve, se atende ou não à norma culta, apesar de, saber que estamos sempre cometendo erros, mas é fundamental este policiamento, por uma questão até de credibilidade.
        Já foi corrigido o erro de concordância verbal: comovem-nos e não comove-nos.

  2. alanna disse:

    o filme vem falar sobre uma mulher que não sabia ler e quem sempre lia para ela era o namorado dela e ele não sabia que ela não sabia ler ela tinha vergonha de dizer pra ele.

    • anaygens disse:

      Olá, Alanna!
      Bem, o filme, para mim, retrata muito mais que a vida de uma
      mulher que não sabia ler, mas como foi baseado em fatos reais, creio que é todo um contexto da época nazista: uma mulher que sabia o perigo do nazista, porém à sua vergonha por não saber ler era maior que o perigo do nazismo, pois o próprio sentimento deste movimento já diz tudo e o que é este tudo? Qual o lema do movimento? “Uma raça ariana superior”, dessa forma,”passava por ter nos nórdicos os seus representantes mais perfeitos”.
      (BURNS, p.431, 1966). Sendo assim, imagine: Hanna, talvez, preferira não dar importância a isto, e sim, sua causa: não saber ler, esta sim, era superior na sua vida, a vergonha disso tinha relevância para ela. A sociedade, também, a discriminaria por este fato.
      Quanto ao namorado dela, com certeza, ele sabia sim que ela não sabia ler.
      Um comunicador que quer passar uma informação ou uma estória, história a um receptor, o que faz? Se for em áudio, mas se percebe que o receptor não ouve, logo terá que procurar outra forma para se comunicar, por exemplo, Libras. Mas se for impressa, porém percebe que o receptor desconhece os códigos da escrita, imediatamente, este terá a opção em áudio.
      Além do fato de Hanna não saber ler, há o romance, porém destinado a não ter sucesso pela própria falta de comunicação entre o casal.

  3. Michael percebe que Hanna não sabia ler apenas no final do julgamento, e não enquanto estavam juntos, como consta do seu comentário.

    • anaygens disse:

      Se ele não tivesse percebido que ela não sabia ler, teria
      feito o que fez: gravar as histórias e enviá-las para ela
      ou simplesmente foi o fato de saber que ela gostava de ouvir?
      Bem, eu acho que ele sabia sim, porém não a aceitava por dois motivos:
      enfrentar o que reservaria o futuro ao lado dela, além da própria vergonha
      que Hanna sentia. A verdade, não sei o certo, pois julgar é fácil, difícil é
      vivenciar os fatos.

  4. Débora disse:

    pra mim o filme nos mostra o quanto as decisoes tomamos na vida podem modificar tudo….hanna assumiu a culpa por vergonha…..se suicidou tb por nao ter estabilidade de aceitar que ja era velha diante do menino do passado que ainda tinha em mente…..eu nao vejo ele como culpado…..ela mudou o curso deles dp que decidiu abandona.lo sem deixar pistas….foi promovida no trabalho pra trabalhar num escritorio mas como conseguiria trabalhar sem saber ler e escrever? mas uma vez fugiu….e foi parar no novo emprego….que a levou a ser julgada…..mesmo ele sabendo ela mentiu qd assumiu a culpa nao acho ele seja culpado por ter ocultado…..foi uma escolha dela….ele sabia ferir a vergonha dela talvez fosse pior ….eu acho que hanna conseguiu fugir e se omitor pra todos…..era sozinha…isolada….so nao conseguiu fugir de si mesma….por vergonha preferiu ter o destino que teve……vergonha…orgulho….o filme é belissimo…..apartir do momento ela passa ouvir as fitas fica mais tocante….e mais que a culpa dele…que na verdade nao vi assim…por ter se omitido……a vergonha dele foi a maior responsavel por todo o drama do filme…..

    • anaygens disse:

      Sim, Débora, as decisões, de fato, mudam tudo, são elas que giram, traçam os nossos caminhos. De acordo com Sartre, as nossas escolhas devem ser as melhores possíveis, pois qualquer decisão afeta o outro, até a não escolha.

  5. Guilherme disse:

    Olá, gostei muito da resenha. Mas uma coisa me deixou sem resposta nesse filme e gostaria muito de sua opinião. No julgamento de Hanna, uma sobrevivente disse que ela sempre escolhia os mais fracos e doentes para ler para ela. Mas pq isso? Pq ela escolheria alguém assim como Michael e se apaixonaria por ele depois, já que quando se conheceram Michael estava doente? Pq o fato dos leitores serem fracos e doentes? Seria uma maneira dela se sentir mais segura? Abraço.

    • anaygens disse:

      Sim, pois não, pode falar o que deixou você sem resposta…

    • anaygens disse:

      Agora que consegui ver todo o seu comentário.Não sei, mas penso na possibilidade de cuidar e, talvez, isso possa ser explicado em lembranças da infância dela.
      E não necessariamente, as pessoas leitoras teriam que ser doentes, porém uma sensibilidade de muita gente está no fato de perceber a sensibilidade do outro. Deve ser uma forma atrativa, atraente… Abraço

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alteração )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alteração )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alteração )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alteração )

Conectando a %s